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Beatriz Valchi

Tirar o Verso do Mito

“Vivemos grande parte da vida dentro de um sonho.”

Alguns já despertaram, outros ainda dormem profundamente, presos ao culto dos próprios mitos: o sucesso que precisa ser visto, a fama que promete valor, o dinheiro elevado a deus, o poder que ilude e escraviza.

Muitos seguem assim, ignorando o vazio silencioso que pulsa no peito… aquela sensação persistente de que há algo essencial  faltando.

Ninguém nos ensinou que o corpo está contido na alma, e não o contrário. 

Ninguém nos ensinou que o corpo se desfaz, mas a alma, essa centelha viva do Espírito Divino é eterna, pois, Deus habita em nós, silencioso e sereno, esperando apenas ser reconhecido como o verdadeiro Mestre interior, que supre, sustenta e guia cada um de nossos passos.

Crescemos acreditando que pensamos por conta própria. Que cada ideia, cada opinião, cada escolha é fruto da nossa consciência desperta.

Mas, quando silenciamos por dentro e observamos de onde brotam esses pensamentos, percebemos algo inquietante: muitos deles não são realmente nossos.

Vivemos imersos em uma mente coletiva, um campo vibracional denso a qual inconscientemente estamos inseridos e que a todo instante está moldando nossa realidade, seja pelas crenças antigas e culturais ou por padrões emocionais de medo, falta e doenças, as quais a  humanidade veio evoluindo através de todo o caos de uma existência, sobrevivendo a guerras, epidemias, mortes e quebras financeiras. 

São essas, entre outras influências invisíveis, que moldam nossos comportamentos e ditam tendências que muitas vezes sequer nos encaixamos, mais que seguimos sem nos autoquestionar. Isso é como um  veneno silencioso de nosso inconsciente, que causam disparos diários em nosso cérebro e, que muitas vezes nos impede de pensar e ver a realidade de forma mais positiva e altruísta.

Quando a consciência dorme, repetimos  pensamentos e  ruídos mentais que herdamos ou absorvemos do meio em que vivemos.

Reagimos, desejamos e tememos conforme o coletivo dita, e chamamos isso de “vida normal”,  mas, não há liberdade em repetir ruídos.

Assim, seguimos tentando preencher um vazio que não é físico mas sim um vazio espiritual, o esquecimento de nossa própria origem.

A mente coletiva, ainda aprisionada no medo, na ganância, na carência e na necessidade de aprovação, cria uma ilusão de separação do criador e consequentemente vibra na frequência da escassez e sobrevivência.

“Alimenta o ego, mas enfraquece a alma, ficando impossibilitada de escutar a voz interior.”

E enquanto seguimos acreditando nesses pensamentos emprestados, continuamos a viver uma história que não é nossa. Uma vida que reflete o mundo, não o Espírito. 

A verdadeira libertação começa quando decidimos observar os pensamentos sem nos identificar com ele.

Quando paramos de reagir e começamos a escutar o que vibra em silêncio aquela voz suave de nosso Cristo interior. É Ele quem distingue o ruído da verdade, o medo do amor, a carência da plenitude.

Nesse instante de consciência, compreendemos que pensar não é o mesmo que ser. E então nasce um novo pensamento, não o da mente coletiva, mas, o da Consciência Divina que habita em nós.

E esse pensamento é puro e iluminado, não grita: ele revela.

“Então é o tempo de tirar o verso do mito.”

De compreender que somos uno com o Espírito de Deus que pulsa em nosso interior e que nos torna vivos. Nunca estivemos separados de Deus. É no silêncio que ouvimos a voz interior do criador. 

É na quietude que a intuição floresce e nos conduz  à evolução que a alma anseia. Ainda que seja pela dor ou pelo amor a alma está sempre evoluindo. Quando percebemos que tudo o que vemos fora tem correspondência dentro de nós, começamos a compreender que a vida é um espelho da nossa consciência.

Cada experiência externa reflete algo que vibra em nosso interior, seja crenças, emoções, expectativas ou aprendizados em andamento. Somos cocriadores de nossa história, capazes de ressignificar e reconstruir tudo o que acreditamos ser definitivo e bom. Por isso, não há sentido em comparações.

Cada alma caminha em um ritmo único de expansão. Nossa aparência, nossos relacionamentos e circunstâncias não podem ser medidas de valor, mas expressões do que precisamos viver para evoluir.

Quando paramos de nos comparar, abrimos espaço para a aceitação, a gratidão e o entendimento de que estamos exatamente onde deveríamos estar, vivendo o que nossa alma escolheu para crescer e se tornar cada vez mais perfeita.

Os desígnios divinos triunfa através de cada um de nós, pois Deus se manifesta em tudo, e nada há fora d’Ele. 

Ainda assim, muitos continuam buscando satisfação na matéria, investindo tempo, energia e saúde naquilo que não alimenta o espírito, tentando preencher o vazio do ego com o que o mundo oferece, mas que jamais sacia.

Observamos nosso comportamento: quantas vezes na vida gastamos nosso tempo correndo atrás de mitos.  O mito do sucesso, do reconhecimento, do poder, da aparência perfeita  e, nesse movimento, fomos nos afastando de nós mesmos, esquecendo o nosso Cristo interior, a fonte de água viva que flui de nosso próprio ser. 

Em vez de beber dessa fonte, cavamos cisternas furadas: ilusões que prometem plenitude, mas se esvaziam logo após serem alcançadas e que muitas vezes levam ao desespero e depressão.

“Nenhum prazer do mundo é capaz de saciar a sede da alma, porque o que é transitório não pode preencher o que é eterno. O espírito não se alimenta de conquistas, mas de consciência.”

E quando, finalmente, cessamos a corrida e voltamos o olhar para dentro, encontramos o que sempre buscamos: o Deus vivo que habita em nós, a presença silenciosa que preenche, cura e transborda. 

Buscamos, portanto, Deus dentro de nós, enquanto ainda podemos ouvir Sua voz suave e serena.

Antes que nossa consciência não se perca nas vaidades e nos ruídos do mundo. Voltemos para o Cristo interior, a presença viva que nos sustenta mesmo quando tudo à nossa volta parece ruir.

Não devemos esperar que o chão se abra para lembrar de quem somos; devemos despertar agora, enquanto ainda há tempo de escolher a luz. 

E, se teu mundo já desabou, não temas. Chegará o dia em que o Senhor reconstruirá tuas muralhas não de pedra, mas de fé. Habitarás numa cidade interior alegre e segura, firmada na confiança em Deus, onde o medo não encontra morada, pois o Pai é abundante em perdão e infinita é Sua misericórdia.

Ele te reconecta à lembrança mais sagrada:  tu és meu filho amado, herdeiro da luz eterna, e nada pode separar-te desse amor que te criou e te chama, todos os dias, de volta para casa. 

Aquieta-te, e saberás:

“Eu, (a voz silenciosa) dentro de ti, sou Deus.”

 

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Uma resposta

  1. Nem sempre é fácil olhar para além do encanto superficial do cotidiano e enxergar o que está invisivelmente gritando em nossas emoções.

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